McLaren 720S vs Ferrari F8: O Duelo de Titãs V8 Biturbo
Análise técnica e comparativa detalhada entre o McLaren 720S e a Ferrari F8 Tributo. Qual V8 biturbo reina supremo em performance, design e emoção?

No panteão dos supercarros modernos, poucos duelos são tão emblemáticos quanto o embate entre a McLaren e a Ferrari. De um lado, a precisão cirúrgica e a inovação tecnológica da casa de Woking. Do outro, a paixão, a herança e a alma visceral de Maranello. O McLaren 720S e a Ferrari F8 Tributo materializam essa rivalidade em sua forma mais pura: ambos equipados com motores V8 biturbo centrais, tração traseira e uma potência idêntica de 720 cavalos. Contudo, suas filosofias e as sensações que provocam ao volante são notavelmente distintas, tornando este um dos comparativos mais fascinantes da engenharia automotiva de alto desempenho.
Qual motor equipa o McLaren 720S e a Ferrari F8?
Ambos os supercarros são equipados com motores V8 biturbo, porém de projetos e cilindradas distintas. O McLaren 720S utiliza o motor M840T, um V8 de 4.0 litros (3.994 cm³) com dois turbocompressores. A Ferrari F8 Tributo, por sua vez, é impulsionada pelo premiado motor F154, um V8 de 3.9 litros (3.902 cm³) também com dois turbos. Ambos entregam exatamente a mesma potência máxima: 720 cv (ou 710 hp).
O propulsor da McLaren é uma evolução direta do motor que a marca desenvolveu para seu retorno aos carros de rua com o MP4-12C. Caracteriza-se por uma entrega de potência brutal e um pico de torque de 770 Nm a 5.500 rpm, que se manifesta de forma explosiva em rotações mais altas, conferindo ao 720S uma aceleração implacável. Já o motor da Ferrari F8 Tributo é considerado por muitos uma obra-prima, sendo uma derivação direta da unidade que equipava a 488 Pista. Ele produz 770 Nm de torque, mas disponíveis um pouco mais cedo, a 3.250 rpm, e é aclamado por sua resposta instantânea e ausência de turbo lag, um feito notável da engenharia de Maranello. A sonoridade também é um diferencial, com a Ferrari trabalhando exaustivamente para entregar um rugido mais agudo e emocional, em contraste com o som mais grave e técnico do McLaren.
Como a performance do 720S se compara à da F8 Tributo?
Em termos de performance declarada, os números são extraordinariamente próximos, com ambos os modelos atingindo 100 km/h em 2,9 segundos. No entanto, em testes práticos e medições de performance em acelerações superiores, o McLaren 720S frequentemente demonstra uma ligeira vantagem. Essa diferença se deve principalmente ao seu peso consideravelmente menor e à eficiência de sua transmissão.
A principal razão para a vantagem de peso do McLaren reside em sua construção. O 720S é construído ao redor do Monocage II, um monocoque ultraleve e extremamente rígido feito inteiramente de fibra de carbono, que inclui o teto e a estrutura superior. A Ferrari F8, embora utilize extensivamente alumínio e alguns componentes em carbono, ainda se baseia em um chassi de alumínio mais tradicional. Essa diferença resulta em um peso em ordem de marcha (DIN) de 1.419 kg para o 720S contra 1.435 kg para a F8 Tributo. Pode parecer pouco, mas em supercarros deste calibre, cada quilograma conta. Essa vantagem de peso, aliada a uma aerodinâmica ativa e uma transmissão de dupla embreagem de 7 marchas extremamente rápida, permite ao 720S atingir 200 km/h em impressionantes 7,8 segundos, enquanto a F8 completa a mesma tarefa em 7,9 segundos.
Tabela Comparativa de Especificações Técnicas
| Especificação | McLaren 720S | Ferrari F8 Tributo |
|---|---|---|
| Motor | 4.0L V8 Biturbo (M840T) | 3.9L V8 Biturbo (F154) |
| Potência | 720 cv @ 7.500 rpm | 720 cv @ 7.000 rpm |
| Torque | 770 Nm @ 5.500 rpm | 770 Nm @ 3.250 rpm |
| Transmissão | Dupla Embreagem, 7 marchas (SSG) | Dupla Embreagem, 7 marchas (F1) |
| 0-100 km/h | 2,9 segundos | 2,9 segundos |
| 0-200 km/h | 7,8 segundos | 7,9 segundos |
| Velocidade Máxima | 341 km/h | 340 km/h |
| Peso (DIN) | 1.419 kg | 1.435 kg |
| Relação Peso/Potência | 1,97 kg/cv | 1,99 kg/cv |
| Chassi | Monocoque de Fibra de Carbono | Chassi de Alumínio |
| Fonte dos Dados | McLaren Automotive, Ferrari S.p.A. |
Quais as principais diferenças no design e na aerodinâmica?
O design do McLaren 720S é um estudo de caso em funcionalidade aerodinâmica, adotando uma filosofia de "forma segue a função" de maneira extrema. Sua característica mais marcante são as cavidades dos faróis, apelidadas de "órbitas oculares", que não apenas iluminam o caminho, mas também atuam como dutos de ar, canalizando o fluxo para os radiadores de baixa temperatura. A carroceria é desprovida de grandes entradas de ar laterais visíveis; em vez disso, o ar é direcionado através de um engenhoso "canal duplo" integrado nas portas diédricas. A traseira é dominada por um aerofólio ativo de largura total que se ajusta em milissegundos para otimizar a downforce, atuar como freio a ar (airbrake) ou reduzir o arrasto. O resultado é um visual futurista, limpo e orgânico.
A Ferrari F8 Tributo, em contrapartida, exibe sua aerodinâmica de forma mais explícita e escultural, celebrando a herança da marca. A frente é marcada pela S-Duct, uma solução aerodinâmica herdada da Fórmula 1 e aprimorada a partir da 488 Pista, que canaliza o ar do para-choque através de um duto no capô, gerando significativa downforce no eixo dianteiro. As linhas são mais agressivas e angulares que as do 720S. A traseira é uma clara homenagem à icônica Ferrari F40, com uma tampa de motor em Lexan com persianas que ajudam a extrair o calor, além das tradicionais quatro lanternas redondas, que retornaram após uma ausência na 488. O design da F8 é uma fusão de arte e ciência, transmitindo agressividade e beleza de maneira inconfundivelmente italiana.
Como é a experiência de condução e o interior de cada um?
A experiência ao volante do McLaren 720S é definida pela precisão, conexão e uma sensação avassaladora de capacidade. Graças ao chassi de carbono e à suspensão Proactive Chassis Control II, que interliga os amortecedores hidraulicamente e dispensa as barras estabilizadoras tradicionais, o carro oferece um equilíbrio sublime entre conforto em baixas velocidades e controle absoluto em alta performance. A direção hidráulica é uma das mais comunicativas do mercado, transmitindo ao piloto cada nuance da superfície da estrada. O interior é minimalista, focado no motorista, com excelente visibilidade e o inovador painel de instrumentos dobrável (Folding Driver Display).
A Ferrari F8 Tributo responde com uma experiência mais teatral e emocional. O interior é luxuoso e envolvente, com todos os controles principais concentrados no volante, incluindo o famoso Manettino para seleção dos modos de condução. A Ferrari investe na "diversão ao dirigir", com sistemas como o Side Slip Control (SSC) que permitem ao motorista explorar os limites do carro com uma rede de segurança eletrônica. A resposta do motor e do câmbio é calibrada para ser instantânea e dramática. Conduzir a F8 é participar de um espetáculo, onde a sonoridade do motor, a resposta do chassi e a herança da marca se combinam para criar uma experiência visceral e apaixonante.
Qual o custo de importação e manutenção desses supercarros no Brasil?
O custo de importação de um McLaren 720S ou de uma Ferrari F8 Tributo para o Brasil é substancialmente elevado, refletindo não apenas o valor do veículo, mas também a complexa e onerosa carga tributária brasileira. Considerando um valor de mercado internacional de aproximadamente US$ 300.000 a US$ 400.000, dependendo do ano, quilometragem e opcionais, o valor final para o cliente no Brasil, após o processo de importação realizado por uma empresa especializada como a Aurum Legacy, pode variar entre R$ 4,5 milhões e R$ 6,5 milhões. Este cálculo inclui o Imposto de Importação (II), IPI, PIS, COFINS, ICMS, além de frete internacional, seguro, taxas portuárias e nossa assessoria completa.
A manutenção acompanha o patamar de exclusividade. Os custos operacionais são altos, envolvendo revisões anuais obrigatórias para manter a garantia (quando aplicável). Peças de reposição, como pneus de ultra-alta performance e freios de carbono-cerâmica, têm valores elevados. Uma troca do conjunto de freios pode facilmente ultrapassar os R$ 150.000, enquanto um jogo de pneus homologados pode custar mais de R$ 25.000. É imprescindível que os serviços sejam realizados em oficinas especializadas com ferramental e diagnóstico adequados, conforme as diretrizes do fabricante. A conformidade com normas ambientais, verificada por órgãos como o IBAMA através da obtenção do certificado LCVM, e de trânsito, junto ao DETRAN para emplacamento, são etapas cruciais do processo de importação que demandam expertise técnica.
FAQ — Perguntas Frequentes
Não. A produção do McLaren 720S foi encerrada no final de 2022. Ele foi sucedido pelo McLaren 750S, que é uma evolução direta do 720S, com mais potência, menor peso e aprimoramentos aerodinâmicos e de chassi.
Historicamente, edições especiais e os modelos V8 de motor central da Ferrari tendem a manter um valor de revenda extremamente forte. A F8 Tributo, sendo o último modelo da linhagem com motor puramente a combustão (sem hibridização), possui um apelo especial para colecionadores. O 720S também mantém seu valor bem, mas a mística e a produção mais controlada da Ferrari geralmente lhe conferem uma ligeira vantagem no mercado de seminovos de altíssimo padrão.
Embora ambos os carros possuam modos de condução mais "suaves" e amenidades modernas como ar-condicionado e sistemas de infotainment, seu uso diário em cidades brasileiras é impraticável para a maioria dos proprietários. A baixa altura em relação ao solo, a suspensão firme (mesmo nos modos mais confortáveis), o alto consumo de combustível e, principalmente, a atenção que atraem, tornam a experiência de uso urbano desafiadora. São veículos projetados para estradas sinuosas e autódromos.
O nome "Tributo" já indica sua proposta: ser uma homenagem ao motor V8 mais potente já produzido em série pela Ferrari até seu lançamento. Além da reverência ao motor, seu design incorpora elementos de modelos históricos. A mais notável é a tampa do motor em Lexan com persianas, uma clara alusão à icônica Ferrari F40. O conceito aerodinâmico S-Duct foi aprimorado a partir da 488 Pista.


